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sábado, 10 de fevereiro de 2018

Outros tipos de tanque usados no Sisteminha

Novamente, é importante lembrar que o quê determina que tipo de tanque será feito são os recursos já disponíveis, as condições financeiras e o espaço reservado para ele. Embora essencial, o tanque não deve ser um empecilho para quem deseja implantar um Sisteminha e  proporcionar maior segurança alimentar à sua família, além de certa independência do mercado e de alimentos industrializados.

Vamos continuar falando sobre tanques. Já falamos sobre os dois tipos com os quais já temos experiência, que foram o tanque de taipa e o tanque de bambu-cimento. Agora, falemos de mais dois tipos que vem sendo os mais utilizados. 

Foto:Renan AquiGeo, Araguaina-TO
Tanque de papelão - O tanque original do Sisteminha continua sendo um dos mais utilizados, se olhamos principalmente pelo custo reduzido de implantação e pela facilidade de execução. Embora o original seja quadrado (melhor para espaços mais compactos), o modelo redondo também vem sendo aplicado a ele. O revestimento final é com lona plástica, cuja especificações, já falamos aqui.


Foto: Emílio Konrath
Tanque de placa - Este será, provavelmente, nosso próximo tanque. Tem custo muito menor que o tanque de ferrocimento. O trabalho para sua confecção, embora demande o tempo da fabricação das placas, também é menor. É preciso cuidar da amarração com arame entre as placas e o reboco externo para evitar um possível arrombamento por causa da pressão da água nas paredes internas, mas feito isto, é um tanque durável e seguro.


Foto: Francisco Eudes

A confecção das placas de cimento é simples e uma forma de fácil confecção 
resolve a questão. A forma pode ser feita por um marceneiro ou um serralheiro dependendo do material que se pretenda utilizar, depois é colocada em uma cama de areia onde é preenchida pela massa de concreto. Com prática, pode-se esperar alguns minutos, desenformar e produzir outra em sequência.

Uma dica para quem começa com um tanque de taipa ou papelão e quer começar a juntar os recursos para o tanque permanente é ir estocando o cimento. "Guarde o cimento que puder comprar à vista de saco em saco (R$ 24,00 em média), para não perder embale o cimento em sacos plásticos de lixo de 60 litros, bem vedado e passe fita durex para vedar. O cimento guardado assim dura até 2 anos sem estragar. Aí vc planeja de acordo com sua renda e tempo, planeje para 6 meses e comece agora." A dica é do professor Luiz Carlos Guilherme, da Embrapa meio-norte.


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Tipos de tanque para o Sisteminha - Os que nós fizemos

Ao decidir  que  tipo  de  tanque  poderá  ser  feito  para  iniciar  um  Sisteminha,  quais  os  recursos  recicláveis e  financeiros  disponíveis  devem  ser  primeiramente  considerados.  Depois  disto,  vem a  que  questão de  espaço e  localização  do  tanque  no  terreno.

Quadrado ou redondo?
O tanque original do Sisteminha proposto pela Embrapa meio-norte é retangular e tem capacidade para cerca de 6 mil litros d'água, tem estrutura de tronquinhos e varas e é revestido de papelão e lona plástica. Funciona muito bem e foi com ele que o projeto do Sisteminha ganhou prémios e reconhecimento, inclusive fora do Brasil. O tanque em questão cabe em qualquer espaço e é mais fácil planejar o sistema a partir dele. 
O tanque redondo por sua vez, vem sendo cada sua mais utilizado, e nas palavras do professor Luiz Carlos Guilherme "onde há lugar para o redondo não há lugar para o quadrado". Entre suas vantagens está o fato de não ter cantos, ou seja, com isso não se acumulam sedimentos nos cantos, não há a pressão do peso da água localizada neles. Pelo formato redondo a água circula melhor formando um vórtice que direciona os sedimentos para o centro do tanque. Também, por ter formato mais orgânico, provoca menos estresse nos peixes.


A seguir mostraremos os tanques com os quais já termos experiência aqui no nosso Sisteminha.

Tanque de taipa - O tanque de  taipa que fizemos na chácara Dona Kaetana foi redondo, pelos motivos já citados acima. Com capacidade dobrada em relação ao tanque proposto pela Embrapa, ou seja, para de 12 a 14 mil litros. A partir daí  fizemos adaptações e assumimos os riscos.


A princípio faríamos o tanque com revestimento de papelão, mas a chácara fica a uma distância considerável do Comércio e juntar papelão para todo revestimento demandaria muito tempo. Então optamos por paredes de taipa, já que nosso solo tem boa quantidade de argila e boa liga. 
- Neste caso é interessante que as distâncias entre os tronquinhos de fundamento não sejam muito grandes e 
- que se use para a grade, varas de bambu ou de Mororó ao invés de Taboca, que é menos resistente a umidade. 
- Ao invés de sifonamento por Mangueiras optamos pela instalação de um cano a partir do centro do tanque por baixo da terra para canalizar os sedimentos para o sedimentador. 
- Por fim fizemos o revestimento com lona plástica (8×8), dupla-face branco e preto com espessura de 200 micras com pouca sobra nas bordas que foram arrematadas com fio de arame liso. 
- O sedimentador foi colocado ao lado e foi feito de manilha e placas de cimento. Falaremos dele em outra postagem.


As duas tabelas simulando custos do tanque de taipa e do tanque de alvenaria:

- As tabelas trazem previsão de preços baseada nos anos de 2016 e 2017. 
- Também é preciso considerar que existem variações por todo o território nacional. 
- A última coluna considera o material que já exista na propriedade ou possa ser reciclado, barateando o custo final.

Tanque bambu-cimento- O tanque de bambu e cimento foi um tanque experimental que fizemos. A princípio, seria um tanque de taipa e sua estrutura foi bastante melhorada em relação ao primeiro tanque. 
- Boas varas de bambu foram utilizadas e sabe-se que este é um material estrutural de grande qualidade. 
- Outra coisa que direcionou o projeto foi o fato de haver ferro suficiente de sobra de obra e telas que estavam inutilizadas no terreno. 
- Ao se calcular o custo benefício do cimento que faltava em relação a lona optou-se pelo cimento. 
O vídeo mostra o processo de construção com detalhes.

Muitas questões foram levantadas e críticas foram feitas quanto á sua validade e durabilidade. O custo final do tanque ficou muito abaixo do custo de um tanque de ferrocimento tradicional.
No momento o tanque está com 10 meses de uso e está em prefeitas condições de trabalho.

Na próxima postagem falaremos sobre outros tipos de tanque muito utilizados no Sisteminha.








quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

A lona usada no Sisteminha

O Sisteminha propõe o início da criação de peixes com o uso de lona plástica por razões bem específicas e uma delas é a razão econômica. O projeto foi criado para famílias de baixa renda sem condições para construção de tanques caros para piscicultura de alvenaria ou de ferrocimento. 
A estrutura do tanque para criação de peixes é geralmente o que mais encarece o projeto e o torna inviável para muitas famílias, então o tanque criado pelo Professor Luiz Carlos Guilherme da Embrapa meio-norte a princípio tinha estrutura de tronquinhos e varas posteriormente revestidas com papelão de caixas desmontadas, com a função de distribuir a pressão causada pela água nas paredes do tanque. Somente depois é que entra lona, com função impermeabilizante, ou seja, mantendo a água dentro do tanque. Logicamente ela precisa obedecer algumas especificações que vamos descrever adiante.
Espessura: A lona plástica indicada deve ter 200 micra de espessura. Não menos que isto, pois a questão é resistir aos peixes que nadam e esbarram contra ela constantemente.
Tipo: Lona dupla face (branca e preta) ou plástico para estufa.
Podem danificar a lona:
Raízes, caso nao seja feita uma boa limpeza da área onde o tanque será construído e não se faça a cobertura do solo com papelão ou sacaria antes de por a lona. Peixes, a lona suporta bem peixes de até 500gr, após isto as barbatanas se tornam mais rijas e ferem a lona mais facilmente. Sol, a luz solar que incide sobre a lona que não está sob a água vai danificando o plástico com o tempo e este é um dos fatores que afetam sua durabilidade. Objetos cortantes, devem ser evitados proximo ao tanque. Anzois devem ser usados longe do fundo do tanque e tarrafas e redes não devem ser muito pesados.
Vantagens: Custo em relação ao cimento, areia e ferragens.  Rapidez (não precisa esperar secar, curar...). Pode ser a melhor opção em regiões de difícil acesso. Fácil de transportar (não precisa pagar frete ou carro para transporte). Não precisa de mão de obra especializada para colocação, desde que a estrutura de tronquinhos e varas esteja bem reforçada.
Durabilidade: A durabilidade da lona é de um ano (1 ano). Mais do que isto, pela experiência, nos não aconselhamos. A lona precisará ser trocada ou deve-se pensar no tanque permanente.
Porque fazer de lona então?
Pelo custo inicial e pelos motivos que listamos como vantagens. Uma família quer melhorar a qualidade alimentar e ter segurança de origem dos alimentos consumidos, mas não tem recursos suficientes para começar. Quando começa com o tanque de lona, poderá usar o lucro obtido com os peixes do primeiro ano para construir um tanque permanente. O próprio peixe garante o investimento, uma vez que neste caso, primeiro você cria o peixe e depois constrói o tanque mais caro.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Escalonamento de produção - Vamos falar mais de verdade.

Lançadas as questões, vamos procurar responde-las de forma sistematizada.
- O que é escalonamento de produção dentro do Sisteminha?


Dentro do Sisteminha isso significa garantir a colheita semanal de uma maior variedade de alimentos possíveis dentro de determinada área. Assim por exemplo, uma família pode plantar uma única linha de milho com 25 mudas para garantir o refogado da semana. O da próxima semana já estará em uma nova linha. Da mesma forma, feijões, tomates, mandioca, quiabo e o que mais fizer a mesa mais farta, durante toda a semana, todo o mês.

Qual o melhor aproveitamento que uma família pode fazer dele?
A adaptaçao de uma tabela de plantio às necessidades ou mesmo gosto da familia.
As tabelas a seguir podem servir de orientação e trazem sugestões de como escalonar a produção de uma boa variedade de alimentos.



- Como se faz  "desagravo à fome" com um só tipo de alimento? Quem é que se alimenta só de peixe? Para uma família a variedade de alimentos semanais é mais ou menos importante do que a quantidade de um único produto que ainda precisa ser convertido em dinheiro para a compra de outros?

Quando se sugere seguir o gosto por determinados alimentos é preciso considerar também as sugestões feitas pela OMS, a Organização Mundial da Saúde, levando em consideração as carências nutricionais dos indivíduos de uma família no tocante às necessidades de proteínas e de carboidratos, de sais minerais e vitaminas, fibras e gorduras de boa qualidade. E levar em consideração o tipo de trabalho de cada indivíduo, as necessidades nutricionais das Crianças em idade escolar e em crescimento, levar em consideração os nutrientes que vão favorecer o desenvolvimento intelectual e não somente o físico, levando-se tudo isto em consideração é fácil concluir que a maior variedade de alimentos é capaz de favorecer com que estas coisas aconteçam da melhor forma. E nem sempre economicamente falando, é possível ter acesso a toda esta variedade.

Ainda existem outras questões que o escalonamento de produçao dentro do Sisteminha podem ajudar a pensar:
- E se a ideia for o mercado, não seria mais inteligente não saturar o mercado com uma única oferta?
- A conversão em moeda de um determinado artigo de alimentação compensa na hora de adquirir outro?
- Pensando em mercado, economicamente falando, como é que se muda o forma de fazer a conta do que é ganho real?
- Como ter variedade de alimentos produzidos em menor espaço todas as semanas?
- Para as famílias com filhos em idade escolar a produção de alimentos variados pode trazer algum reforço ao conhecimento academico?

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Escalonamento de produção - Algumas perguntas

A conversa é séria. Sisteminha não é só peixe. É mais. É muito mais. Infelizmente, muita gente que ouve falar do sistema só se interessa pelo tanque, de olho apenas no mercado através da criação intensiva de peixes. E não dá para pensar somente no tanque, existe também a questão ambiental. 
A compostagem dos sedimentos, por exemplo, é essencial, pois evita a contaminação do solo e faz um aproveitamento inteligente do produto no sedimentador. Daí, temos adubo de excelente qualidade e saímos do foco somente na criação dos peixes. 

Indo ao cerne do Sisteminha e usando as palavras exatas de seu criador, o professor Luiz Guilherme, o Sisteminha é "Um desagravo à fome". Estamos falando de uma ferramenta de autonomia, com enorme potencial para levar uma família que tenha pelo menos um quintal de 500m2, a alcançar o que podemos chamar de soberania alimentar. 
Um dos módulos mais importantes do Sisteminha consiste no escalonamento de produção de alimentos e no vídeo abaixo falamos um pouco sobre isso. 






Nos próximos posts vamos continuar falando mais detalhadamente sobre o assunto. Mas, ainda existem outras questões para pensar:

- Como se faz  "desagravo à fome" com um só tipo de alimento?
- Quem é que se alimenta só de peixe? 
- E se a ideia for o mercado, não seria mais inteligente não saturar o mercado com uma única oferta?
- Para uma família a variedade de alimentos semanais é mais ou menos importante do que a quantidade de um único produto que ainda precisa ser convertido em dinheiro para a compra de outros?
- A conversão em moeda de um determinado artigo de alimentação compensa na hora de adquirir outro?



Embora o tanque seja vital para o Sistema, ele nem de longe é só isso. Vamos conversar um pouco sobre isto?
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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Ana Primavesi - Sabedoria e experiência

DELÍRIOS DE UMA CIVILIZAÇÃO





Por Ana Primavesi
A terra gruda nos sapatos, suja os assoalhos e incomoda as pessoas da cidade, que querem tudo limpinho e se defendem contra a “sujeira”, asfaltando ruas e estradas e usando automóveis, para não pisar no barro.
A terra produz os alimentos e as colheitas comerciais como café, açúcar, cacau, algodão, chá-da-índia, guaraná e cana para o álcool-combustível, fibras como sisal e juta, óleos como o de mamona, babaçu e dendê e látex, e condimentos como pimenta-do-reino, cravo, canela e louro. Armazena água nos seus poros para as plantas e, em depósitos profundos, para as fontes e nascentes dos rios e das represas das usinas hidrelétricas.
A terra forma o nosso corpo, saúde e inteligência. Não porque a Bíblia conte que o homem foi feito de barro, mas porque um óvulo fecundado nunca formaria um corpo de nada. Ele fornece somente o padrão genético segundo o qual se forma o ser vivo. Mas o corpo é construído de minerais. E estes as plantas retiram da terra e os fornecem a todos os viventes. Do corpo decomposto ou cremado resta somente um punhado de cinza, mineral.
Antigamente, nós a chamávamos, com carinho de Mãe Terra, porque dela nasce e a ela volta o homem. E nos orgulhávamos de ser filhos da terra porque o que somos, os somos por ela. Em terra sadia e forte, seremos fortes, sadios, dinâmicos e inteligentes. Mas quanto ela é exausta, decaída, doente e devastada, nós, seus filhos, somos fracos, doentes e indolentes.
Jecas-tatus. Estudamos muito para descobrir por que a inteligência da juventude decresce e os currículos escolares têm de ser cada vez mais facilitados. Destruímos a alma no barulho e nas drogas e destruímos o corpo com alimentação biologicamente incompleta e condimentada por resíduos tóxicos. Depois nos admiramos de que o circuito alma-cérebro não funcione mais. É a terra, portanto, que nos faz progredir ou cair na miséria, sentir bem-estar ou nos arruinarmos, sermos poderosos e gloriosos ou submissos e escravos.
Lembram-se dos povos que sumiram da história? Dos sumérios, egípcios, etruscos, gregos, romanos, incas, astecas, mongóis e hunos? Foram arrasados porque se esqueceram dos campos. Um grande presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln, disse: “Destruam as cidades e conservem os campos, que as cidades ressurgirão. Destruam os campos e conservem as cidades, e estas, sucumbirão”. Cidades vivem do campo. Não adianta. É a terra que as mantêm.
Quando a terra era jovem, vigorosa e virgem, uma vegetação exuberante a cobria e flores a enfeitavam. As árvores lhe davam sombra e as plantas, com suas raízes, a abraçavam carinhosamente e estendiam macia manta de folhas. Estava abrigada e protegida, zelada e amada. O sol a beijava furtivamente e a água da chuva a acariciava em suave deslizar. Era tudo festa.
E viemos nós, homens, em busca de alimentos. Ela podia dar e estava ansiosa para ajudar-nos. Tomava-nos por amigos e quis se entregar, como esposa dedicada. Mas nós não entendemos. Não quisemos amizade nem dedicação. Quisemos explorá-la, dominar e violar, estupidamente. Quisemos enriquecer rapidamente. E a arruinamos. Agora ela é fraca, doente, estragada, prostituta que todas usam e pela qual ninguém zela.
Sua pele macia se tornou incrustada, dura e rachada. Sulcos profundos marcaram sua face, cavados pelas lágrimas que a chuva lhe emprestou. Nós que sempre achamos uma palavra “científica” para explicar, chamamos a isso “erosão”. Chagas a cobrem como feridas de lepra, e nós as chamamos de “voçorocas”. Perdeu sua beleza, saúde e fertilidade. Não pode mais gerar colheitas fartas e nutritivas - mas somente esses pingos de safra, sem sabor e sem valor para a vida.
As plantas que cultivamos não formam mais unidade com a terra, não são mais “ecótipos”, como nós dizemos, não se adaptam ao que ela pode oferecer. Criamos plantas estranhas, muito estranhas, de hábitos exóticos. Embora ainda se chamem milho, arroz, algodão ou cana-de-açúcar, não pode mais usar o que a terra oferece, nem se satisfazer com o que ela pode dar. Não é mais mãe, mas simplesmente suporte. Temos de “adaptá-la” às nossas culturas, que não são mais amigas, e sim orgulhosas, desinteressadas, até hostis.
E nos orgulhamos de nosso trabalho genético e de nossos híbridos. Até as chamamos de HRV, ou variedades de alta resposta. Variedades que, na verdade, apenas suportam elevadas quantidades de adubos. A terra que, rindo, dava colheitas fartas, de repente não presta mais. É coberta com quantidades excessivas de calcário e salgada com adubos ácidos e agressivos. É compactada com máquinas pesadas e deixada nua, exposta ao sol abrasador e ao impacto de chuvas violentas. Banhada com fedorentos venenos as plantas amigas não nascem mais. Justo as que queriam curar suas feridas, revigorar sua vida e equilibrar os nutrientes. Mas nós, homens, não permitimos.
Quem quer bem à terra, nós perseguimos. A terra sente calor. Sua temperatura raramente fica abaixo de 42ºC, o que é demais para ela. Anda a até 85ºC. Ao invés de cultivar plantas, parece que pretendemos assá-las. Água quente, as plantas não conseguem beber. E a água que a terra guardou para elas o sol faz evaporar e o vento leva; numa folia louca – e o vento veio após a derrubada da mata.
A mata foi o termostato da natureza. Atraía a chuva. Agora, não há mais o que a atraia. Só chove quando as nuvens ficam muito pesadas. Aguaceiros. A terra não pode se defender contra sua força. A água, em lugar de entrar suavemente pelos seus poros, agora escorre. Dá enchente e depois vem a seca.
Terra quente não atrai chuva. Aquece o ar que sobe a até 80 quilômetros por hora, empurrando as nuvens para cima. Muitas vezes, esse ar quente arranca e leva a terra consigo para longe. E nós arrumamos outro nome para isso: “erosão eólica”.
Deus programou a terra para produzir plantas e grãos, árvores e frutas, ervas e essências. No seio da terra, a força divina programou a vida de maneira sábia e perfeita, com bactérias, fungos, pequenos animais, minhocas, zeladores do vigor da vida. Eles decompõem tudo que é fraco, doente, velho ou morto.
Mas toda essa vida rica e diversificada não existe mais. Nós não sabíamos? Parece que nunca sabemos o que estamos fazendo! A vida dependia de sua grande diversificação. E a comida da terra eram plantas mortas, matéria orgânica. Agora, criamos somente algumas espécies. Culturas de um único tipo de plantas, monoculturas que criam uma monovida, de uma ou duas espécies. E estas, mais cedo ou mais tarde, atacam as culturas, que defendemos com venenos.
Essa vida estranha cresce no seio da terra. Uma vida hostil, que não serve para nada, a não ser para ela mesma. Onde está o equilíbrio, a atividade fervilhante, colorida? Era uma luta de todos contra todos, mas a vida vigorosa sempre ganhava. Agora, ninguém luta mais contra ninguém, porque é uma vida uniformizada, monótona, que ataca suas culturas uniformizadas, monótonas e mal nutridas. Nas cadeias alimentícias, cada um era presa e predador. Hoje, dizemos que “falta o inimigo natural”. Nunca ninguém foi inimigo no seio da terra. Ou nós somos inimigos dos frangos, porcos e bois? Nós os criamos para comê-los, mas inimigos não são.
Quebramos as cadeias alimentícias e, assim, criamos pestes e pragas. É admirável, quantos insetos e fungos são capazes de mudar seus hábitos e viver de plantas vivas – mas não tão vivas… Se o fossem, ninguém poderia atacá-las. São suscetíveis. Você não pega gripe ou tuberculose se não é suscetível. Pessoa forte, bem alimentada, bem nutrida, não pega doenças. E nas plantas não é diferente. A terra fornecia até 32 nutrientes para cada planta. Nós damos somente quatro, no máximo seis nutrientes. E nossas plantas não conseguem nada do seio da terra, porque nós fabricamos uma laje bem dura, em 12 ou 15 centímetros de profundidade, que as raízes não podem ultrapassar. Então, são obrigadas a ficar bem perto da superfície e viver só de nossos adubos. E gordas, como bebês criados com mingau, mas fracas, precisam de venenos cada vez mais tóxicos, contra o que restou da vida, e os últimos “inimigos naturais”. Mas assim criam pragas resistentes, porque a natureza tenta adaptar-se. Criam então “inimigos naturais” e os soltam. Mas quem os controlará?
Sempre tentamos “dominar” a natureza e nos esquecemos de que somos somente um fator do ecossistema, uma ínfima parte da natureza somente destruímos. Como diz o poeta Paulo Eiró: “Os homens sonham monumentos, mas só ruínas semeiam para pousada dos ventos!”
Não conhecemos nem nosso próprio organismo. E a terra é um mecanismo mais complicado. Usamos relógios ou carros, mas poucos sabemos como funcionam, também a terra, poucos sabemos como funciona. Estudamos fator por fator, mas quando desmontamos tudo não sabemos mais montar. Esperamos que todos os fatores sejam como peças numa prateleira. Mas não existe coisa nenhuma totalmente isolada neste mundo.
A terra é um organismo, um conjunto que tentamos mudar arbitrariamente. Não ganhamos nada com isso. Somente submergimos numa luta desigual contra a natureza. A terra é parte do meio-ambiente. Como nós. E numa luta contra a natureza, esta sempre será mais forte. Achamos que não é verdade, porque nunca o mundo teve tanta gente como hoje. Mas por uma lei natural, cada espécie que se multiplique demasiadamente se auto-extermina, por fome, por degeneração, pela luta de todos contra todos. É como disse Jesus: “Céus e terra desaparecerão, mas minha palavra não desaparecerá”. E a palavra de Deus são de leis segundo as quais tudo funciona, dos átomos às constelações de estrelas, do micróbio ao homem.
A terra está mal. Horrivelmente mal. A água que percorre a terra está carregada de tóxicos e de sais de adubos. Substâncias estranhas que tornam os rios viscosos, mortos, fedorentos. Antiga fonte de vida e fertilidade, os rios, atualmente trazem a morte por onde passam.
Nós pensamos que se ela, a terra, estiver arruinada, existe ainda a saída para o mar. E como podemos esquecer que a vida no mar depende da vida na terra? O mar não é um pote cheio de peixes, mas um imenso deserto aquático, somente habitado onde chega o húmus da terra. E onde a terra está estragada, o mar é morto.
O que fizemos da terra “mãe gentil” agora tornada campo de batalha? E ela é ainda responsável por nossos filhos. A terra que estragamos não é nossa, mas apenas emprestada de nossos filhos…


Da terra dependemos nós e nossos descendentes – sua vida ou morte. Com a terra luta toda a natureza. Se um embaixador chega a um país, ele é tão forte como a nação que representa. E a terra representa a natureza, o universo, a vontade de Deus. Poder ser a amiga que leva ao progresso e ao bem estar. Mas se a maltratarmos, a natureza nos destrói.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

4 meses e uma pescaria e um almoço

Em dezembro de 2016, os alevinos que colocamos em agosto estavam fazendo 4 meses e nesta altura, os peixes do tanque estavam saudáveis, espertos e vorazes.


Os peixes do tanque estavam pesando em média 400gr e já pudemos começar a prepará-los de outras formas.

Nenhum texto alternativo automático disponível.


Pequenos filezinhos empanados foram uma surpresa saborosa ao paladar.


A imagem pode conter: sobremesa e comida

A esta altura também, começamos a receber a visita de pequenos pescadores no nosso quintal. 
A imagem pode conter: 2 pessoas, atividades ao ar livre
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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Nosso Sistema com 3 meses de VIDA!!! Muita vida!

Em um Sisteminha, o foco não está apenas na criação dos peixes, ou seja, eles são apenas mais uma parte dos alimentos produzidos pelo sistema, então, não existe produção intensiva de peixes e nem um foco exato no mercado, embora bem manejado gere excedentes. Isto geraria muito mais cuidado e retiraria o foco das outras partes do sistema. Neste tanque colocamos no máximo 300 peixes que já começos a consumir a partir dos 3 meses. Com nosso sistema de filtragem e aeração o sistema fica equilibrado mantendo o tanque com 30 a 40 kilos de peixe, sem trocas da água. Apenas repondo no máximo 1.500 litros diários que retiramos dele para (fert)irrigar as plantas, ou seja, reutilizamos cerca de 10% da capacidade diariamente para isto. Lembrando que nossas bombinhas bombeiam no máximo 1.900 lts/h cada uma (são duas). A capacidade de filtragem (retirada de resíduos) e recirculação da água é que vai determinar a quantidade de peixes que podem ser criados no tanque.
Depois de 3 meses tratando dos peixes no nosso Sisteminha, lembramos que os alevinos chegaram muito pequenos e tímidos. Com a água turva (o que é bom), os bichos quase camuflados e agora vorazes na hora do trato, veio a curiosidade: Como estão agora em peso e tamanho?


As tilápias aos três meses já tem o tamanho que chamamos de "porção", servindo uma a cada pessoa. Nesta etapa começamos a nossa pescaria que dura sem pausas até hoje, cerca de um ano e meio depois! 


É importante pra nós, lembrar através destes registros, de como estavam as coisas em cada época e sim (!) Comemorar cada etapa, cada avanço, por mais simples que pareça. É mais uma estratégia de motivação.



quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

A cabeleira do biofiltro e suas funções

Primeiro seria interessante falar que o sedimentador, embora muito importante, no Sisteminha, é parte de uma sistema que chamamos de biofiltro cujos elementos filtrantes são as cordas de nylom que formam o que chamamos de cabeleira. A cabeleira entra tanto no sedimentador quanto na medusa. No sedimentador serve como filtro de partículas, neste caso fica submerso. No caso da medusa ela pode ser aérea (como no nosso modelo) ou flutuante, nos dois casos, embora precise da umidade, ela não pode ser submersa, isso impediria a sobrevivência das bactérias essenciais para transformação da amônia. Segundo o Dr. Luiz Carlos Guilherme, da Embrapa Meio-Norte e idealizador do Sisteminha "na verdade nos sistemas convencionais, que não se usa a medusa no biofiltro, o fazem submerso o que exige uma aeração específica para atender às bactérias. A capacidade de retenção de oxigênio na água é menor do que no ar, portanto aproveitar a aeração natural possibilita melhor rendimento das bactérias que se instalam na medusa." 

A cabeleira garante uma água mais limpa para retornar ao tanque. É como se fosse uma grande escova onde algas e outras sujidades ficam presas em suas "cerdas". Sua execução é semelhante a da medusa, mas como fizemos o sedimentador proporcional ao tanque, acreditamos que ela também deveria ser maior (nossa conta e risco), porém o tempo de sua execução é maior e há outros afazeres. Enquanto a cabeleira submersa (escova) não ficava pronta, a bomba de circulação pela cabeleira (medusa) estava pedindo manutenção mais frequente mesmo com a proteção do filtro. Fizemos um improviso no qual utilizamos um tambor de cerca de 70 litros e adaptamos uma entrada para o fundo dele saindo do sedimentador. Dentro do tambor colocamos vários sacos de cebola feitos de material plástico semelhante ao nylom por onde a água passava enquanto subia para enche-lo e ser bombeada de volta o tanque.

Então recapitulando problema e solução:
Há dias (no começo) nos deparamos com um problema: Tempo. A cabeleira do sedimentador, embora não seja complicada, demanda tempo em sua execução e entre outras atividades tínhamos que adaptar uma solução para este problema, mesmo que provisória, com o material que já tínhamos à disposição. Então a questão era: Filtrar a água do sedimentador, enquanto a cabeleira não fica pronta. já que, recapitulando novamente, a cabeleira garante uma água mais limpa para retornar ao tanque como se fosse uma grande escova onde algas e outras sujidades ficam presas em suas "cerdas". 
Solução temporária: "Sifonamos a água superficial do sedimentador para outro tambor (por baixo) onde alguns sacos de cebola se encarregam de reter algumas partículas. Pelo menos, temporariamente deu certo. Ela foi usada pouco tempo, somente o suficiente para terminarmos a cabeleira permanente.
Dá pra ver com mais detalhes no vídeo.




Dica: Tente executar cabeleira e medusa ao mesmo tempo e antes de colocar os peixes. Não sejam ansiosos (como nós).

Outra coisa importante é que não fazemos adubação na água do Sisteminha, como se faz em alguns outros sistemas de piscicultura. A alimentação, as fezes do peixe e as algas que se formam ao longo do tempo, vão mudando o ambiente por si mesmos. A água é recirculada constantemente através deste biofiltro (sedimentador e cabeleira). Pode-se utilizar até 10% do volume total para irrigação da horta (exemplo) diariamente com reposição de água limpa sem prejudicar o equilíbrio biológico do tanque.