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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

A cor escondida

A cor escondida

por Karla Caetano

Numa manhã, depois de uma chuva daquelas que a tempos não se via por ali, 
por causa da estiagem que castigou por mais tempo que de costume, 
pela janela, se via uma cor que já quase estava esquecida, embora diariamente ansiada. 
É que a chuva lavou as folhas, das árvores, dos arbustos, das moitas todas, 
daquelas que não tinham lançado mão das folhas, é claro, 
por questão de sobrevivência, entram num estado de dormência,
já que pelas folhas se respira e por consequência se transpira, 
lançando fora, desta forma, ao vento justamente aquilo que necessita. 
Água.  Fazer o quê? 
Se é deste jeito que formam as nuvens, das quais jorram, hoje pouco, as chuvas.
Dirão alguns que são os rios que transpiram toda a enxurrada que flutua no céu.
Um pouco é verdade.
Mas se quem alimenta o rio daquilo que mata a sede do bicho-bicho e do homem bicho,
são as chuvas. E as matas também se aliviam nelas enquanto suas raízes servem de guia,
fazendo caminho à água que escorrega por elas até os lençóis escondidos sob a terra.
Também é verdade que ao beberem grande parte dela e que seus segredos metabólicos, hoje, já não tão secretos, as devolvem ao mesmo céu, em outras vaporosas nuvens.
Recomeçam o ciclo.
Ignorância separar o solo da água, a água da planta, a planta do ar vital.
Matam o solo com tantos "cidas" que causa arrepio pensar.
E ainda querem respirar! Meu Deus!
Nesta indignação brotada, já quase se esquece, novamente, da cor.
Daquela do começo, já quase esquecida. Também ansiada.
Ansiada não por preferência, pois há quem prefira branco, azul ou qualquer outra,
Ansiada por significado, nada místico ou subjetivo.
Primeiro por não ser cor comum ao que não tem vida.
Ocultada pela poeira trazida pelos ventos, que recobrem os galhos com o ocre do pó,
que camufla e confunde as formas ao tingi-las numa .só cor, 
aumentando a sensação de aridez e de sufocamento misturado a agonia
do calor, do suor grudando na pele e da angustia de lutar mais um dia, outra vez.
Os olhos dos bichos tornam-se baços pela saudade que sentem de vê-la.
Pelo que ela significa.
Porém depois do mormaço, das nuvens enegrecidas que alguma vez olharam a terra e que
foram embora tantas e repetidas vezes, carregadas pelas correntes quentes, 
eis que finalmente,
Naquela manhã chuvosa, quando o ocre se misturou ao marrom das poças de lama,
Ela surge tingida de esperança, a qual, conhecidamente representa.
Ainda, a contra gosto de alguns homens, existe uma cor que mais do que outras,
representa as outras. Pelas tantas vezes que as precede.
já que pinta os frutos antes do ponto da colheira, pinta a seiva vegetal.
E também o sangue que diária e constantemente, inconsciente ou deliberadamente 
é derramado nas matas e nos campos. 
E pensar que nas gôndolas dos supermercados, 
onde destacam-se os frutos da indústria e das esteiras de produção,
e produtos com tantos "antes",
ela já quase não se representa, 
nem se apresenta em sua forma pura e simples.
Preterida, dá lugar aos carmesins e tartrazinas, caramelos e índicos, e a um tal litol.
Não há de chegar o dia no qual as crianças nem saberão o que fazer com ela, 
em meio as cores dos gizes, aquarelas e lápis de colorir.
Bem antes disto, sua ausência será presságio de fome e promessa de morte.
É preferível lembrar que ainda, logo após a chuva, 
fazendo fundo as outras cores,
Ela é aquela cor que se destaca entre todas.
. 




domingo, 21 de janeiro de 2018

Cuidados com a Medusa

Porque certas partes da medusa não devem ficar expostas ao sol?
Novamente pensando nos problemas e dificuldades que surgiriam e na ordem em que fossem aparecendo pela frente e como soluciona-los. Então vamos lá?

Problema: Corda da medusa (cabeleira) exposta a luz solar direta.
Quando fizemos nossa medusa, havíamos visto algumas fotos na internet onde a corda ficava exposta ao sol. Assim, não nos preocupamos com o excedente abaixo do balde (o nosso é de 18lts), até pensamos em colocar uma proteção, mas fomos protelando. Acontece que a luz solar é bactericida, ou seja, mata as bactérias expostas à ele. Embora já soubéssemos disto, achamos que não seria problema se pegasse só em alguma parte. Mas, um colega nos alertou que mesmo assim, poderia ser um problema. E segundo o professor , é verdade, as bactérias do biofiltro precisam de proteção. A luz UV danifica o DNA formando "dímeros de pirimidina" impedindo a multiplicação correta do DNA. Em outras palavras, em pouco tempo ele se torna ineficaz na transformação da amônia.
Solução: Decidimos cobrir o balde com uma lona de sofá e assim protegê-lo da incidência direta da luz solar.
Dica 1: Se o tanque estiver sob um telhado (ou sombreamento) é necessário cobrir toda a corda? Ou somente a incidência da luz solar direta afeta o desenvolvimento das bactérias do sistema?
Não precisa. Aí pode ficar com qualquer balde. "Por exemplo no vídeo que pesquei com tarrafa em casa usei um cesto de lixo pequeno e furado." Prof.Luiz Carlos Guilherme
Dica2: Outra coisa. No caso de algas agarradas na medusa ela deve ser lavada (enxaguada com água pura)? Ou isto não é aconselhável?
Geralmente as algas fixam devido as cordas ficarem enroladas. Não precisa lavar. Mas, se lavar tem de estar consciente de que as bactérias precisarão de um novo tempo. Portanto se tiver de fazer isso o ideal é no final do ciclo de engorda antes de colocar novos alevinos
Dica3: A Medusa flutuante é mais indicada, pois tem um volume maior de água passando por ela, já que a altura e distância entre bomba e medusa serão menores.



sábado, 20 de janeiro de 2018

Manutenção das bombas.

A manutenção das bombas de circulação e recirculação são super importantes para evitar prejuízos no equipamento, aumentar sua própria durabilidade e fazer o tanque funcionar de forma saudável, gerando economia de recursos e trazendo qualidade de vida aos peixes do sistema. E o melhor, a custo baixo de consumo elétrico e com possibilidades de adaptação a energias alternativas como a solar.



A manutenção das bombas de circulação e recirculação são super importantes para evitar prejuízos no equipamento, aumentar sua própria durabilidade e fazer o tanque funcionar de forma saudável, gerando economia de recursos e trazendo qualidade de vida aos peixes do sistema. E o melhor, a custo baixo de consumo elétrico e com possibilidades de adaptação a energias alternativas como a solar.

Na postagem de ontem, vocês tem acesso ao arquivo da Embrapa que trata das adaptações feitas para as bombinhas no Sisteminha.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Primeiro problema encontrado. Bombinha veio quebrada.

Quando falamos que este blog e o grupo no Facebook, tem a finalidade de acompanhar o Projeto Sisteminha aqui em São Vicente pelos próximos 3 anos, logicamente pensamos nos problemas e dificuldades que surgiriam e na ordem em que fossem aparecendo pela frente e como soluciona-los.
1º Problema: Bomba que veio com defeito. Pedimos as duas bombas pelo Mercado Livre pelos valores de R$ 131,00 e R$ 152,00 respectivamente. A mais barata (mesmo modelo) só tinha mais uma unidade disponível, por isso valores diferentes. Chegaram no mesmo dia, na data programada e muito bem embaladas. Nós, porém não abrimos as bombas para conferir o impeller (rotor) e só muitos dias depois descobrimos que o funcionamentos das duas estava "diferente". Ao abrirmos as bombas verificamos que uma delas estava com as hélices do rotor quebradas. Como já havíamos avaliado o vendedor não houve mais nada a fazer. Depois de tantos dias, ele provavelmente não acreditou na história e não retornou os e-mails.
Solução: Pedimos outro reparo (impeller completo) que nos custou R$ 71,00 (frete incluso).
Dica 1: No caso de pedi-la pelo Mercado Livre ou por outro vendedor on-line, ao receber sua bomba, desmonte-a e verifique a integridade das peças e o funcionamento dentro de um balde de água. Somente depois disto qualifique o vendedor (ele só recebe depois disto).
Dica 2: Peça junto pelo menos 1 reparo se puder. Com o tempo ocorre o desgaste do eixo e das borrachas. Faça limpeza semanal das bombas para retirada de limo, sal e outras impurezas.
Dica 3: Siga este link "agricfamiliarsistintegradobombas.pdf" e você encontrará como cuidar de suas bombas neste arquivo.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

É sempre bom lembrar, Sisteminha é muito mais que peixe.

O tanque dos  peixes, embora essencial ao sistema, é apenas uma de suas partes. Digamos que seja o motor que garanta o funcionamento dos outros módulos:

* Compostagem;
* Minhocario;
*Plantio escalonado;
* Criação de codornas;
* Galinheiro de corte;
* Galinheiro de postura;
* Criação de pequenos animais.

Nossa adaptação, até por ter espaço, é que estamos associando ao SAF - Sistema AgroFlorestal. Estamos agora com Um ano e meio de sistema e ainda não implantamos todos os módulos. Nos próximos posts vocês poderão acompanhar como implantamos o que já temos, quais os problemas que podem acontecer e quais as soluções que temos encontrado.
O vídeo mostra um pouco do que conseguimos fazer nos primeiros meses, até setembro/16:



Continuem acompanhando por aqui e vamos explicando tudo que pudermos para vocês.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

A importância da medusa ou cabeleira

Um Sistema que cria micro vida, para criar macro vida. A cabeleira que serve de filtro contribuindo para devolver água mais limpa de volta ao tanque, entra em duas partes do Sisiteminha. Dentro do sedimentador e no no biofiltro que pode ser flutuante ou fixo e não deve ficar submerso na água como é o primeiro caso. O biofiltro tem uma função ainda mais nobre que a da cabeleira submersa, pois abriga nos fios de nylon, dois tipos de bactérias chamadas nitrozomonas e nitrobacter que são responsáveis por capturar a amônia e transforma-la em nitritos e nitratos que não são tóxicos aos peixes e ainda são uma forma de nitrogênio mais disponível para as plantas irrigadas com a água do tanque em sistema de escalonamento ou aquaponia. Nas nossas adaptações usamos os seguintes materiais:

Biofiltro

01 balde
01 bomba de aquário SB2000
08kg de corda de nylon
02mt de mangueira transparente
01 chuveiro de piscina (opcional)
No vídeo pode-se acompanhar a forma como o fizemos.
Medusa ou Cabeleira? Os dois. Peça super importante no Sistema

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A importância do sedimentador

Se o tanque dos peixes é o coração do Sisteminha, o sedimentador, a medusa e as bombinhas são seus pulmões e sistema digestivo. Isto mesmo, sistema digestivo. Juntos eles alimentam o tanque com oxigênio, nitritos e nitratos, cálcio e outros produtos resultantes da síntese de toxinas e restos metabólicos dos peixes, algas e outros microrganismos. Hoje falaremos de uma destas partes.

O sedimentador


Originalmente, no projeto criado pela Embrapa meio norte, ele se constitui de um balde de plástico ou de cimento mais ou menos da altura do tanque, para onde á água do fundo do tanque vai por sifonamento levando consigo boa parte dos sedimentos. 

O sedimentador é essencial para o sistema.

No nosso projeto as adaptações foram:
    1- A água vai por gravidade para o sedimentador através de um cano no centro do tanque que tem fundo afunilado;
      2- O sedimentador foi feito de placas de concreto;
      3- A peneira de cordas do sedimentador ocupa todo o seu diâmetro interno.
Lembramos que estas adaptações foram feitas devido as dimensões do nosso tanque serem bem maiores que as do projeto original da Embrapa. Nos vídeos pode-se acompanhar como se deu sua construção.



segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Por ignorância nós fizemos isto...

JUDIADA

Por Karla Caetano


É certo que quando chegamos aqui, ela já estava despida das árvores que outrora a adornaram. O antigo dono, foi quem a despiu daquela forma. Verdade seja dita, suas vizinhas não eram lá muito diferentes. Tudo por causa da fumaça e da fuligem que o carvão e seus fornos levaram ao lugar, numa esperança tola de que se podia construir alguma coisa a partir da destruição de outra.

Me lembro perfeitamente da pontada de decepção por não haver nela, aquela sonhada rainha de todas as árvores, aquela de galhos fartos e fortes, sombra aconchegante e porte altivo que pudesse ser contemplada ainda de muito longe e onde eu faria para meus filhos a casa sonhada da minha infância e que guardaria os segredos deles. Que seria o clube, o forte, o castelo, dependendo da fantasia ou da sugestão daqueles amigos que fariam na nova morada, atraídos a eles por não haver outra construção igual para as suas brincadeiras. 

Antes, o que havia mesmo, eram um ou dois pés de mutambas meio magrelas e talvez umas duas cagaiteiras igualmente franzinas, acho que mais uma... talvez. Algumas aroeiras teimosas surgindo do chão, meio esganiçadas num canto ou outro. Também é certo que já estava tomada por vassouras e outras ervas que nem sabíamos o nome. Um capim tímido saia ali e acolá, em meio a babugem que brotava. A malva, a erva que erroneamente chamávamos de daninha, crescia e cobria tudo de verde. Já que era época das chuvas, porém, quando a seca viesse veríamos e sentiríamos também, nas pernas arranhadas e agarradas por todo aquele mato ressequido pelo sol. Por causa do que incompetentemente classificamos como escassez de espécies, é que trouxemos junto a mudança, várias exóticas, trinta e seis pra ser exata, das quais nós arrogantemente nos orgulharíamos e que a embelezariam e intimamente matariam de inveja a vizinhança com seus aromas. Mangueiras, goiabeiras, jabuticabeiras, pitangueiras, romãzeiras, coqueiros, acerolas, limões e laranjeiras. Sequer tínhamos como dar de beber a todas e muitas pereceram ainda prematuras. Mais à frente, quando a cagaiteira se vestiu de noiva com suas flores pela primeira vez, percebemos nossa tolice de não permitir ao tempo, seu próprio tempo. Só entenderíamos que aquilo era beleza quando anos mais tarde a tivéssemos devastado com aragens, viragens e reviragens, com destocas e socas, secantes e herbicidas, capinas e afins desmedidos. Na busca enlouquecida de uma perfeição inventada. E o que fizemos com ela, hoje sabemos, foi uma judiação. 

Ela sem querer, vingou-se. Foi quando negou-se a nos dar dos frutos vermelhos e azedos da vinagreira novamente. Nós que lhe deixamos nua, com a pele desprotegida ao tempo, ao calor fustigante. Onde silenciosamente o alumínio em suas entranhas se fundiu aos outros minerais, os deixando indisponíveis às diminutas, porém essenciais, formas de vida que teimosamente ainda a enxameavam. Em pouco tempo, deixamos de ver também as esculturas orgânicas feitas pelas minhocuçus na brancura dos curruais. Os besouros africanos escassearam e as aleluias reduziram suas visitas. Os panapanás das borboletas amarelas que bebiam nas poças de água migraram de vez e os pequenos tatus bolas se esconderam tão perfeitamente que já quase não dizíamos mais: um, dois, três... sua vez.

Quanto mais corríamos atrás de curá-la, quanto mais a revolvíamos e quanto mais a vitaminávamos com cal e amônia, com ureia e nitrogênio, e com tudo o mais que renomados doutores e curandeiros geoespecialistas nos dissessem, tanto mais bravia e feroz ela ficava. O que tenazmente julgamos ser pirraça, não fora mais que o resultado da dor que cegamente infligíamos a ela. Perdia o viço e a vontade. Negava-se hidratar da água oferecida, quer por nós ou pelas cada vez mais raras nuvens, fossem elas cirros ou nimbos, e jogava-a fora em enxurradas que a lixiviavam e desnutriam causando-lhe feridas. Crostas duras e disformes como queloides, tal como cicatrizes impermeáveis, eram a prova do quanto estava, de fato, judiada.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Barbante de garrafa PET no lugar de arame e pregos

Fácil de fazer e de manusear o cortador de PET retira "lixo" do ambiente e abre um enorme leque de possibilidades. Produz com uma única garrafa, dependendo da espessura, tiras de 6 a 14 metros! É utilizado no Sisteminha em inúmeras etapas e reduz sensivelmente custos com pregos e arame. Pode ser utilizado no galinheiro, no tanque, no minhocário. As possibilidades são muitas! Que tal colocar mãos à obra? No nosso Sisteminha ele entra o tempo inteiro no lugar de pregos e arame. Entrou principalmente na construção do tanque de taipa para assegurar que as varas ficariam fixas no lugar. Entrou na construção do minhocário e também na construção de um galinheiro provisório. Tanto a ferramenta quanto as tiras são feitos com muita facilidade como pode ser visto no vídeo.

sábado, 13 de janeiro de 2018

Nossa primeira palestra

Em agosto de 2016, fomos convidados pela Emater de Flores de Goiás para explicar como nossa experiência funcionava, a partir daí, não paramos mais. O registro foi feito por celular e de forma bem amadora, mas dá pra entender como pode ser interessante.




sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Matéria da Revista Xapuri na íntegra


Sisteminha Embrapa adaptado em Flores de Goiás

Para a maioria das mais de 500 famílias do Projeto de Assentamento São Vicente (P. A. São Vicente), localizado cerca de 40 km depois da cidade de Flores de Goiás, em terra quente e seca, a paisagem semiárida torna tudo mais difícil nesta época do ano. Não para a família Caetano. Ali, como que quase por milagre, a mesa é farta, o cenário tem tinturas de verde, o clima refresca um pouco, o quintal se borda de movimento, e a vida, mesmo com seus perrengues, corre alegre, serena e feliz.
Karla e Flávio Caetano, ele lavrador, ela aprendiz de lavradora, professora, palestrante e estudante do curso de Licenciatura em Educação no Campo – Universidade de Brasília (UnB), moram com os filhos adolescentes Ângela e Davi em uma casa bem simples, sem reboco e sem Rede Globo, no lote 26, na quadra 09 do Eixo 03 do P. A. São Vicente. Ali, depois da descoberta e da implantação do que chamam de “Sisteminha Embrapa Adaptado”, a família celebra um ano de mesa farta, com verdura orgânica e peixe fresco no tanque do quintal.
Junto com o peixe, servido duas vezes por semana em pratos bonitos e criativos que Karla vai inventando e adaptando com o que tem na horta, vem a verdura fresquinha do SAF (Sistema Agroflorestal Familiar) implantado ao lado do tanque, além de uma infinidade de “experimentos” – economia de água, reciclagem, minhocário, técnicas de proteção do solo, produção de mel, pequena criação de galinhas e ovelhas – que vão mudando a paisagem local e, por extensão, a qualidade de vida da família e da comunidade.
Karla conta que o “Sisteminha Embrapa” foi encontrado por Flávio na internet em um momento crítico, quando os dois buscavam formas sustentáveis para permanecer na terra.
O Sisteminha, criado pelo professor Luiz Carlos Guilherme e sua equipe na Embrapa Meio-Norte como um “desagravo à fome”, busca integrar – a partir da produção de peixe em um tanque barato e fácil de fazer – outras atividades produtivas consorciadas em cerca de 500 m² de área.
O tanque dos Caetano custou cerca de R$ 600, com a mão de obra deles, excluindo parte da matéria prima, que já existia na propriedade.
No caso de Karla e Flávio, o tanque foi feito com paredes externas de taipa, ancoradas em varas de taboca, amarradas com “corda” de garrafa pet, feita por eles mesmos.  O tanque comporta cerca de 300 alevinos que, ao final de cinco meses, podem gerar 150 kg de peixe fresco. “No nosso caso, a conta não é essa, porque vamos usando o peixe na nossa dieta ao longo do crescimento dele, a partir dos três meses, então não chegamos aos 150 kg, mas também não faltou peixe na nossa mesa, e chegamos a pescar exemplares de até um quilo e meio!”, explica Karla.
Na prática, o que Karla e Flávio vêm fazendo é adaptar, para a realidade de Flores de Goiás, o Sistema Integrado Alternativo para a Produção de Alimentos, conhecido como Sisteminha Embrapa, desde 2011 instalado na Embrapa Meio-Norte UEP Parnaíba como unidade demonstrativa para o treinamento de produtores familiares. A este processo, por eles chamado de “Sisteminha Adaptado em São Vicente”, os Caetano dão visibilidade por meio da publicação de vídeos em seu canal do YouTube “Dona Kaetana”, e da manutenção da página de Karla Caetano no Facebook, “Sisteminha Embrapa adaptado em São Vicente.”
Na comunidade, Karla e Flávio vão insistindo em, pelo exemplo, romper desânimos e quebrar resistências culturais arraigadas entre um povo forte, mas que por séculos viveu sempre sem alternativas, convivendo com a miséria e a enorme dependência do mercado.
Na Internet, tanto em seu canal do YouTube, “Dona Kaetana”, quanto na página do Facebook. “Sisteminha Embrapa adaptado em São Vicente”, a moça morena dos sertões de Flores de Goiás publica vídeos curtos e didáticos contando cada passo do projeto e falando “do que deu certo e do que não deu”, para que outras famílias “não incorram nos mesmos erros e obtenham melhores resultados”.
Em consequência, outros sisteminhas já começam a surgir na paisagem comunitária, como o da amiga Sirlene, que inovou com o uso da tecnologia “bambu-cimento” na produção do tanque e retribui com belos pés de alface vindos da água regada com o que é reciclado do tanque.  E já faz tempo que o quintal dos Caetano deixou de ser só deles.
Ali, são frequentes as visitas de moradores de outros assentamentos da região, de pessoas apaixonadas pela agroecologia, de técnicos de entidades públicas e empresas privadas e, mais recentemente, de políticos da região, como o presidente da Câmara de Vereadores e o prefeito da vizinha cidade de Posse, que chegaram, há poucas semanas, acompanhados do próprio prefeito do município de Flores de Goiás que, segundo os Caetano, ainda não conhecia o Sisteminha adaptado em seu município
https://www.xapuri.info/agroecologia-2/sisteminha-embrapa-flores-goias/

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

1 ano e meio depois...

A partir de uma ideia surgida no antigo Egito, o Sistema Integrado para Produção de Alimentos "Sisteminha Embrapa", aprimorado para a realidade brasileira, hoje atende centenas de famílias dos estados do Piauí e Maranhão. O Sistema combina a criação de peixes em tanques, construídos com materiais simples como palha, barro, papelão, madeira, plástico e criatividade, e a água dos tanques é usada para irrigar as plantas ao redor da casa. Até agora está cumprindo fielmente a função!


Como fizemos o nosso tanque


Fizemos uma adaptação do tanque de criação de peixes, com base nos modelos criados pela Embrapa meio-norte. As adaptações foram as seguintes:

·         O modelo escolhido foi o de taipa em vez do de papelão. 
·         O tanque tem dimensão dobrada em relação ao modelo original. 
·         É redondo.
·         Também foi colocado um flange conectado a um cano a partir do centro do tanque para a saída dos sedimentos.

O tanque final tem 70cm de altura e capacidade 12.000 para 14.000Lts, com possibilidade de reuso de 10% diários para irrigação e fertilização de culturas.  Foi usada lona de 200micra com 8x8 metros e uma bomba SB2000 para circulação da água.




O processo escolhido para construção da estrutura do tanque foi a taipa. Tronquinhos formam a ancoragem. Armação de taboca e bambu, e barro como argamassa.

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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Como começamos nosso Sisteminha

Em julho do ano de 2016, tínhamos expectativas e começávamos nossa "aventura". Passamos mais de um ano perseguindo tudo que podíamos a respeito do Sisteminha Embrapa e seu maior maior divulgador e pesquisador, Luiz Carlos Guilherme. Pouco tempo se passou desde que começamos e tem sido muito prazerosa cada etapa. Se as expectativas serão superadas o tempo e experiência nos dirão. Àqueles que nos quiserem acompanhar podem também nos seguir no grupo do Facebook. Serão mais do que bem vindos! No nosso primeiro vídeo falamos um poco sobre nossas expectativas com o tanque.

Um tanque sustentável do qual não se retiram (à médio prazo) somente os peixes, mas onde também se faz um reuso da água utilizada de forma planejada e eficiente. O tanque neste caso também funciona como um reservatório onde se cria os peixes, rega-se o composto para minhococultura e irriga-se plantas em cultivo escalonado. O sistema serve à famílias que tenham pouca disponibilidade de água e não necessita que se faça a troca constante da água utilizada graças a um sistema biológico de filtragem dos resíduos onde a ação de bactérias específicas (nitrozomonas e nitrobacter) fazem a conversão da amônia em nitrito e nitrato tornando a água um veículo seguro de nutrientes para irrigação e sem toxidade para os peixes. Na nossa experiência o simples fato de ter o tanque próximo à horta trouxe uma sensível economia de energia elétrica, já que a bomba que leva água à caixa d’água não é mais ligada tantas vezes ao dia. A água depois de “tratada” pelo filtro biológico torna-se veículo de nutrientes como cálcio, nitrogênio, fósforo e potássio, entre outros, (produtos das fezes e da ração) e dispensa adubação química na cultura. O resíduo do sedimentador é adicionado à compostagem de matéria orgânica que depois é levada ao minhocário onde é convertida em humus, um adubo orgânico que é aplicado na horta e no pomar e que além de nutrir, também melhora as qualidades físicas e biológicas do solo. Todo este processo demostra também, a eficácia do tratamento de efluentes produzidos pelo tanque e que não serão dispensados nem no solo e nem nos lençóis freáticos de forma a causar danos futuros. O Sistema foi desenvolvido pelo professor e pesquisador da Embrapa Meio-Norte, o Dr. Luiz Carlos Guilherme à partir do ano de 2011 e foi premiado pela fundação Banco do Brasil em 2014. Por isto criamos este grupo no Facebook onde demostramos nossas próprias experiencias com o Sistema e já alcançamos cerca de 140 membros, pessoas que nos acompanham e tem interesse no projeto. Estas informações também foram compartilhadas na palestra dada no evento relatado (dia 23 de agosto de 2016, na Emater de Flores de Goiás). Geralmente sistemas de criação de peixes são dispendiosos tanto na construção quanto na manutenção. Famílias que não tem abundancia de água dificilmente poderiam lidar com este tipo de atividade. Nesta proposta, no entanto, o recurso hídrico é utilizado de forma a beneficiar muito mais do que a criação, mas a médio prazo é capaz de sustentá-la. É importante salientar que o Sistema não tem intenção de gerar capital, mas de contribuir com a subsistência das famílias que se envolvem no projeto. É um projeto vivo, pulsante e mantenedor de vida. Tem como principal meta, nas palavras do próprio pesquisador: “fazer um desagravo com a fome”.